Galeria – Bumba-meu-boi

O enredo da festa do Bumba-meu-boi resgata uma história típica das relações sociais e econômicas da região durante o período colonial, marcadas pela monocultura, criação extensiva de gado e escravidão. Numa fazenda de gado, Pai Francisco mata um boi de estimação de seu senhor para satisfazer o desejo de sua esposa grávida, Mãe Catirina, que quer comer língua. Quando descobre o sumiço do animal, o senhor fica furioso e, após investigar entre seus escravos e índios, descobre o autor do crime e obriga Pai Francisco a trazer o boi de volta. Coquitéis e curandeiros são convocados para salvar o escravo e, quando o boi ressuscita urrando, todos participam de uma enorme festa para comemorar o milagre. (fonte: Wikipedia)

É essa a história que cada grupo de bumba-meu-boi (de um jeito ou de outro) conta nas suas apresentações. As fotos abaixo são de uma apresentação do Boi de Morros, sotaque de orquestra, no Arraial da Lagoa em junho de 2011.

Esse é apenas um tipo de bumba-meu-boi, dos muitos existentes, do Maranhão. Existem outros muito mais autênticos, por assim dizer, que não contam com índias e índios malhados e selecionados, mas sim com pessoas das comunidades/cidades de onde são os bois e que fazem suas próprias fantasias.

Tenho o projeto pessoal de um dia fazer um registro muito mais completo do São joão do Maranhão, fotografando vários grupos diferentes, culminando com o encontro de bois no bairro do João Paulo no dia de São Marçal, que acontece a mais de 80 anos e marca o fim dos festejos juninos. Será que um dia acontece?

Até a próxima.

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São João do Maranhão – Bumba-meu-boi

No Maranhão, Rio Grande do Norte, Alagoas e Piauí é bumba-meu-boi, no Pará e Amazonas é boi-bumbá ou pavulagem; em Pernambuco é boi-calemba ou bumbá; no Ceará é boi-de-reis, boi-surubim e boi-zumbi; na Bahia é boi-janeiro, boi-estrela-do-mar, dromedário e mulinha-de-ouro; no Paraná, em Santa Catarina, é boi-de-mourão ou boi-de-mamão; em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Cabo Frio e Macaé (em Macaé há o famoso boi do Sadi) é bumba ou folguedo-do-boi; no Espírito Santo é boi-de-reis; no Rio Grande do Sul é bumba, boizinho, ou boi-mamão; em São Paulo é boi-de-jacá e dança-do-boi. (fonte: wikipedia)

É, na minha opinião, a manifestação cultural mais marcante e popular da cultura do Maranhão. As centenas de grupos (batalhões, pra usar o jargão) se dividem em três tipos principais, chamados de sotaques: Zabumba (o mais antigo), Orquestra (o mais “pop”) e Matraca (o mais representativo).

brincantes do Boizinho Barrica, o boi “tipo exportação”

Você pode até comprar um CD ou DVD, ou baixar algumas músicas (toadas, no jargão) pra ouvir, mas nenhum sistema de som dolby digital DTS ultra blaster com 7.2 canais vai transmitir a mesma experiência sonora proporcionada por uma apresentação ao vivo de um bumba-meu-boi, sobretudo se for sotaque matraca. As matracas nada mais são do que pedaços de madeira (pau d’arco), e muitas pessoas vão às apresentações levando de casa as próprias matracas, pra tocar junto com os integrantes do boi. Fala a verdade, onde é que tem coisa parecida?

as índias, sempre presentes

as índias, sempre presentes
as índias, sempre presentes
o Cazumbá, um dos personagens do auto do bumba-meu-boi

No próximo post vou tentar explicar mais ou menos que estória esses grupos de bumba-meu-boi contam, como pretexto pra publicar o resto das fotos que deixariam esse post muito longo.
Até.

São João do Maranhão – Cacuriá

Esqueça o que você conhece sobre o São João do nordeste, quadrilha, forró, etc. No Maranhão é bem diferente: bumba-meu-boi, cacuriá, côco, tambor de crioula e dezenas de outras manifestações culturais/folclóricas que eu nem conheço é que fazem a programação junina por lá.

Aliás, tudo isso que chamam de manifestação folclórica do Maranhão no São João é conhecido apenas como… brincadeira. Além de toda a diferença visual e musical que essas manifestações têm em relação ao que se conhece nacionalmente como São João, uma característica marcante de algumas danças é que, ao final, o público é convidado a se misturar aos outros “brincantes” e participar ativamente da festa, em vez de só assistir.

Na minha mais recente visita a São Luís, que foi muito rápida, pude registrar alguns grupos. As fotos a seguir são do Cacuriá de Dona Teté, que é de longe o cacuriá mais conhecido do estado.

O Cacuriá é uma dança sensual, e suas letras quase sempre têm duplo sentido (coisa de criança perto de um funk, mas enfim…), e infelizmente meu ângulo de visão era MUITO ruim, graças ao palco baixo demais do arraial. Só consegui trazer mais fotos pra casa contando com a ajuda da Tati (que a gente levantava mais alto que a multidão) e do meu amigo Ernany, que já é alto sozinho. São deles também os créditos dessas fotos (difícil dizer quem tirou qual).

Nos próximos posts vou falar (e mostrar) sobre os arrais e o bumba-meu-boi, que é a brincadeira mais popular no São João do Maranhão.
Até.

Em breve: São João do Maranhão

Sei que não atualizo esta bagaça há quase um mês, mas é que passei um tempo sem fotografar nada e, agora que fotografei alguma coisa, tá complicado de terminar a edição das fotos.

Enfim… esse ano pude passar um feriado em São Luís bem no auge do São João, o que não acontecia há quatro anos, e quero fazer uns posts caprichados sobre essa que é a maior manifestação cultural do estado, e a mais autêntica do Brasil.

Aguarde e confie (ou não)!

Fotos Antigas II – São Luís!

Em um post anterior, publiquei algumas fotos antigas (acervo do IBGE) de Fortaleza pra mostrar o contraste com o rápido crescimento da cidade. Dessa vez recorro novamente ao acervo IBGE para mostrar como era antigamente uma outra cidade, única capital de estado fundada por franceses, mas de arquitetura colonial portuguesa, tombada e patrimônio da humanidade pela Unesco. Je vous présente… São Luís!

coreto na Beira-mar antigo
coreto na Beira-mar – foto: Tibor Jablonsky

centro sao luis antigo
ladeira no centro da cidade – foto: Tibor Jablonsky

fonte do ribeirão antiga
fonte do Ribeirão – foto: Tibor Jablonsky

Palácio dos Leões antigo
Palácio dos Leões – foto: Tibor Jablonsky

Igreja do Desterro antiga
Igreja do Desterro (estilo Bizantino) – foto: ESSO / IBGE

casarão São Luís antigo
casarão no centro da cidade – foto: ESSO / IBGE

Praça Gonçalves Dias antiga
Praça Gonçalves Dias – foto: ESSO / IBGE

E, a seguir, algumas fotos atuais. É legal ver essas fotos e perceber a preservação, embora ainda existam casarões do século XVII à ponto de desabar, colocando em risco uma parte desse conjunto arquitetônico.

coreto na Beira-mar

reviver São Luís
casario no Reviver (centro histórico)

reviver São Luís
mais um casarão tombado

Fonte do Ribeirão
fonte do Ribeirão

ladeira em São Luís

ruazinha no centro histórico e estátua na Praça Gonçalves Dias (do próprio)

Em breve pretendo fazer um post (ou mais) sobre o litoral do Ceará. Até!