Ayrton Senna

20 anos sem Ayrton Senna

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Há 20 anos acontecia o evento mais triste da história esportiva do Brasil. Tão triste que rapidamente transcendeu o aspecto esportivo pra se tornar pessoal. Inúmeras vezes eu li sobre a morte de Ayrton Senna e mais de uma vez foi mencionado o fato de ter sido como a morte de um parente. Um parente querido, eu acrescento.

Naquela manhã de domingo eu tinha 14 anos e por acaso não estava acompanhando a corrida. Fazia alguma outra coisa e de vez em quando passava na frente da TV (de tubo) pra ver os preparativos pra largada (Senna era o pole, como de costume). Sempre tento estar na frente da TV na hora da largada, porque acho o momento mais interessante e tenso da corrida, e às vezes já saía logo depois pra fazer outra coisa por algumas voltas até as posições se acomodarem. Quando voltei, Senna estava em primeiro seguido por Michael Schumacher. E logo depois aconteceu.

Senna bate forte, narrou o Galvão, que na época eu ainda gostava de ouvir. Porra Senna, de novo? Era a terceira corrida da temporada e a terceira seguida que ele abandonava. E saí da frente da TV de novo, pra voltar instantes depois e ver que a coisa era bem mais séria do que imaginava. Uma dúzia de médicos, cortinas levantadas ao redor e uma poça de sangue no local do acidente, que sinceramente nem lembro se vi mesmo ou não, e logo depois um helicóptero removendo o piloto me levaram quase imediatamente a um estado de negação.

A corrida tinha acabado pra mim (pra todos, eu acho), e um colega apareceu convidando pra andar de bicicleta no bairro, esse tipo de coisa que se fazia na periferia das cidades na década de 90. Aceitei o convite e me mantive num longo, enorme silêncio durante todo o tempo. Só abri a boca pra dizer que ia dar tudo certo e o cara ia sair dessa.

Voltei pra casa e a TV ficou ligada, em plantão permanente, à espera dos boletins médicos. Mesmo sabendo que provavelmente ele já estaria morto, aceitávamos aqueles informes médicos protocolares apenas pra adiar a inevitável dor que se seguiria à notícia final, como um parente mesmo, em negação da realidade da perda.

A genuína comoção nacional que se seguiu eu nunca vi até hoje, nas ruas, nas escolas, nos estádios. Assisti, atônito, ao cortejo fúnebre ao vivo, com direito a narração (não lembro de quem), música do Milton Nascimento ao fundo e milhares e milhares de pessoas nas ruas seguindo o caminhão de bombeiros que levava o caixão fechado coberto com a bandeira do Brasil. Dois meses depois ganhamos uma Copa do Mundo pela primeira vez em 24 anos, e mesmo extasiados de alegria pela conquista maior no nosso esporte número 1, o gesto seguinte foi homenagear Ayrton Senna, dando a dimensão do quanto e por quanto tempo o brasileiro estaria disposto a lembrar dele.

Não por acaso estamos aqui, 20 anos depois ainda lembrando do melhor piloto que já pude ver.
Nossos ídolos ainda são os mesmos, pelo jeito.

#Senna20

 

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2 comentários sobre “20 anos sem Ayrton Senna

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