Europa – dia 18 – Zermatt e o inigualável Matterhorn

Ainda no final do dia anterior, enquanto Tati já dormia, eu freneticamente tentava decidir qual seria o nosso destino no dia seguinte. A programação normal nos mandava para o passeio “Top of Europe”, o Jungfraujoch, principal passeio da região de Interlaken (nossa base). No entanto, eu tentava encontrar um jeito de justificar uma mudança de planos que nos mandasse para Zermatt, que era um lugar que eu realmente queria conhecer (o que já deveria ser motivo suficiente).

Meses antes de viajar eu já havia tentado encaixar a cidade no roteiro, mas uma hospedagem decente num dos vilarejos de montanha mais cobiçados da Suíça, na alta temporada, tinha preço proibitivo pra nós. Escolher Interlaken como base nem de longe foi um erro, mas deixava Zermatt meio na contramão e tornava Jungfraujoch a escolha mais lógica. Ainda assim tentei buscar apoio para um bate-volta nas caixas de comentário do Viaje na Viagem, mas as respostas foram unânimes: não vale a pena fazer porque é longe e os dias no inverno são curtos. Você não vai aproveitar.

Matterhorn
Matterhorn

Bom, eles estavam errados! (com todo respeito que o Vnv merece)
De volta à noite anterior, primeiro tratei de fazer um apanhado das condições meteorológicas das duas regiões e, pra minha sorte, a previsão era de tempo fechado no Jungfraujch, e sol em Zermatt. Pronto, eu já tinha um motivo. Passei então a comparar os horários e tempos de viagem das duas opções. Pra minha surpresa, para chegar ao Top of Europe levaríamos praticamente o mesmo tempo de trem que para chegar a Zermatt, cerca de 2h. Decisão tomada!

O trajeto de Interlaken a Zermatt é uma aula de como o sistema suíço de transporte funciona à perfeição. Saída de Interlaken West descendo em Spiez, 4 minutos para troca de trem com destino a Visp, descendo em Visp pra mais uma troca de trem, em 5 minutos, finalmente para Zermatt. O que poderia dar errado? Na Suíça, nada! A não ser que você demore a encontrar a próxima plataforma, o que lhe obrigará a esperar pelo próximo trem, com a certeza de que ele chegará no horário, claro…

Dependendo do horário escolhido, seu primeiro trem será um ICE, alemão com destino a Berlin (mas seu Swiss Pass é válido), que foi um dos trens mais legais em que eu já entrei, e o último poderá ser um do Glacier Express, linha panorâmica que sai de St. Moritz até Zermatt (e no sentido oposto também), com janelas enormes, pra fazer justiça às paisagens espetaculares pelas quais esse trem passará.

À medida que íamos subindo a Zermatt, que fica a cerca de 1600m de altitude, batíamos nosso recorde pessoal de temperatura negativa. Apesar da previsão de sol, fazia -10°C com sensação de -20°C já na saída da estação. A pequena cidade não decepcionou e confirmou todas as expectativas que eu tinha: casinhas típicas de vilarejo alpino, ruazinhas e ladeiras, carrinhos elétricos (não permitem veículos poluidores lá, viu Jeri?), neve até a tampa e um frio de doer os ossos.

Caminhamos um pouco pelas ruas muito escorregadias até que a temperatura, já em -12ºC, nos forçou a apressar a escolha de um restaurante. Como eu achava que o idioma daquela região era o francês, entrei pedindo une table pour deux, e fui prontamente atendido. Durante nosso almoço, percebi que uma senhora se comunicava com os funcionários do restaurante em italiano. Aliás, como essa região faz fronteira com a Itália, terminei com um il conto, per favore. Pouco depois descobri que, na verdade, o idioma de Zermatt é o alemão…

Missão cumprida? Não! Não era exatamente Zermatt que eu queria ver. Por meses sonhei, planejei, e finalmente tinha a chance de estar de cara para a montanha mais icônica do planeta: o Matterhorn! (o Everest é mais famoso, mas duvido que você conheça a imagem dele mais que a do Matterhorn). Pra fazer charme, no momento em que chegamos algumas nuvens cobriam exatamente o pico do Matterhorn, mas não demorou até que elas saíssem da frente.

Zermatt
Zermatt

Zermatt
Zermatt

Zermatt
Zermatt

Zermatt
Zermatt

Zermatt
Zermatt

Zermatt
Zermatt

Zermatt
Zermatt

Existem algumas opções de passeios que levam a vistas privilegiadas da montanha-mãe da Suíça, mas optamos pelo Gornergrat, que parece oferecer a melhor vista (nosso passe dava 50% de desconto). Pega-se esse trem numa estação em frente à principal de Zermatt, e o trajeto leva cerca de meia hora até o destino, a mais de 3000 metros de altura. Nas paradas no meio do caminho sobem muitos esquiadores e snowboarders, isso pra saírem correndo do trem assim que ele pára, calçarem seus esquis/snowboards e descerem a montanha (e repetir o processo meia hora depois).

O local conta também com hotel, restaurante, loja de souvenires e um observatório, mas apesar de muito legal, isso tudo é supérfluo. O importante mesmo é a posição privilegiada pra contemplar os alpes, com vários picos acima de 4.000 metros, o mais bonito e imponente sem dúvidas o Matterhorn. O clima estava como os esportistas de inverno costumam chamar de bluebird: céu azul sem nuvens e muito sol!

Apesar do solzão e céu azul, vá “agasalhado até os dentes”. Fazia -17ºC, felizmente com pouco vento, e acho que só conseguimos ficar ainda um bom tempo do lado de fora porque a empolgação era muito grande, e eu conseguia usar a câmera sem tirar as luvas.

Zermatt
Zermatt

Zermatt
Zermatt

caminho Gornergrat
mirante no caminho para Gornergrat

trem Gornergratbahn
trem da Gornergratbahn

snow trecking
snow trecking

Gornergrat
Gornergrat

Matterhorn
Matterhorn

Gornergrat Matterhorn
Gornergrat – Matterhorn

Gornergrat Matterhorn
Gornergrat – Matterhorn

Matterhorn
Matterhorn

Matterhorn
Matterhorn

Gornergratbahn
Gornergratbahn, ao lado da pista de esqui

Matterhorn
Matterhorn

Matterhorn
Matterhorn

temperatura Gornergrat
quadro informativo, com pistas, temperatura e alarme de avalanche

Dá pra ser melhor que isso? Bom, dá, se você for um esquiador experiente e puder descer aquilo lá por conta própria (um dia eu faço, anote aí!), ou se puder bancar a hospedagem no HulmHotel, com direito a ver estrelas no observatório e ver o nascer do sol de frente pro Matterhorn, o que deve ser mágico! Mas não se pode ter tudo 🙂

Quando descemos de volta para Zermatt já fomos direto para estação principal fazer o caminho de volta para Interlaken, agora sim, com a missão cumprida, sorriso no rosto e o sentimento de ter vivido o ponto alto da viagem.

Faríamos de novo duas baldeações, e pela primeira vez o trem em que a gente estava atrasou (teve que ficar parado numa estação vazia por 5 minutos, por algum motivo). Isso, em teoria, faria a gente perder as duas baldeações seguintes, mas magicamente as engrenagens do sistema de transporte suíço se ajustaram e não perdemos nenhum trem. E ainda chegamos no destino final no horário certo! Coisa linda de Deus 🙂

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