A morte da F1

 foto: Andrew Hone/Getty Images

Sempre gostei de carros. Lembro que uma diversão aos 5 anos era ficar dizendo os nomes dos carros que passavam que papai apontava na rua. Não demorei a virar um fã da Formula 1. Claro que ter pilotos como Piquet e Senna no auge ajudaram a me cativar.

Não poso falar sobre a formula 1 de antes de 1988 (mas já vi uns videos de 70 e devia ser muito legal), mas aqueles (poucos) anos (88-93) foram sensacionais. Ganhando ou perdendo. Caramba! Como eu xingava o Senna quando ele dava uma vacilada (sim, ele vacilava) e jogava uma corrida fora.

Não que naquele tempo já não houvesse a tradicional filhadaputice dos pilotos e politicagem das equipes e dirigentes. O que aconteceu na decisão do título de 1989 foi inacreditavelmente absurdo. Em 90, porém, veio o mais saboroso prato frio de vingança. Se apenas uma jogada de carro pra cima do oponente pudesse ser considerada justa, seria essa.

Com o trágico fim da era Senna (94), imediatamente começou uma era negra na categoria (Schumacher). Não preciso nem comentar as polêmicas (doravante chamarei de sacanagem mesmo) em que o alemão esteve envolvido, quase sempre se dando bem.

Passei 10 anos da minha vida assistindo formula 1 pra torcer contra, e como você devem saber, metade desse tempo foi bem frustrante pra mim. Com a aposentadoria do Dick Vigarista (que eu comemorei muito!), achei, na minha ingenuidade, que os bons tempos estariam de volta. O que eu não contava era que o pilantra deixaria um legado. E esse legado pode acabar com a formula 1.

O atual “melhor piloto de todos os tempos” elevou a picaretagem a um nível inédito. Só pra citar os casos mais graves que seriam passíveis de banimento em qualquer esporte sério, ele cooperou ativamente na espionagem da McLaren sobre a Ferrari em 2007 e foi protagonista/beneficiário do CingapuraGate em 2009. Espacou ileso de ambos, o cretino.

E, agora, a palhaçada do GP Alemanha de 2010. O “esporte” é corrida de carros. Uma competição. Já é ruim o fato de as equipes terem performance tão diferentes entre si, imagina se o cara agora pode ficar mandando sair da sua frente o único carro que é parecido com o seu? E a equipe atende!

Qual é o sentido então de todas as 19 provas? Dá logo o troféu pra quem for mais politicamente fodão e pronto. Não me faça perder tempo assistindo, pra ainda ter a vergonha de ver outro brasileiro envolvido nisso. Brasileiros sem cojones, bem entendido.

A Formula 1 deixou de ser esporte há muito. Eu é que não queria acreditar, porque gostava demais de ver as corridas. Mas não vou ficar me enganando. Se eu quiser ver uns carros bonitos desfilando eu ligo a TV e vejo um pouco. A competição? Esquece, isso não existe!

Quando o Senna morreu eu não conseguia entender de jeito nenhum como uma coisa daquelas poderia acontecer. Agora, parando pra pensar em tudo o que a Formula 1 se tornou depois dele, começo a entender que ele não merecia viver pra ver isso.

A sacanagem de ontem nem de longe é a mais grave. Mas há de ser a gota d’água, pelo menos pra mim.

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